quinta-feira, 5 de março de 2015

MERECIDA HOMENAGEM

Durante onze anos, o Al Tejo dedicou uma das suas páginas a um Homem a quem o Alandroal e muitas localidades do esquecido interior, muito ficaram a dever em materia de cultura.
Designamos essa rubrica com o nome de «CINE CLUBE DOMINGOS MARIA PEÇAS».
Fomos agora surpreendidos com o mail que passamos a transcrever e no qual se dá conta  de uma bem merecida homenagem levada a cabo pela Edilidade da localidade que o viu nascer.
Bem merecida tal homenagem. Tudo faremos para estar presentes e testemunhar o quanto o Alandroal lhe ficou a dever.


" Boa noite
antes de o mais a minha gratidão por todo o empenho que têm demonstrado ao meu falecido PAI através do blogue AL-TEJO - CINE CLUB DOMINGOS MARIA PEÇAS.
No próximo dia 16 MAIO 2015 iremos proceder em MONFORTE a uma HOMENAGEM dos 100 ANOS de nascimento e de 65 ANOS DEDICADO AO CINEMA AMBULANTE EM QUASE TODAS AS FREGUESIAS E CONCELHOS DO ALTO ALENTEJO, onde está incluída a bonita VILA DO ALANDROAL. Em face do exposto tenho muito orgulho de convidar o SENHOR FRANCISCO a estar presente no evento dedicado ao meu querido PAI. Deixo o meu contacto tlm 963******.
 Gostaria imenso de o conhecer a fim de o informar com mais detalhes todos os pormenores do evento, pois o mesmo terá a colaboração da C.M. MONFORTE.
Os meus cumprimentoss
Artemiso Peças

AH GRANDE ALBERTO

Que sabe inovar e alem de outros excelentes manjares servem um COZIDO DE GRÃO em  "recipiente" de abóbra que é de comer e              chorar por mais. Só podia ser no Alandroal...Claro!












CAPAS DOS JORNAIS REGIONAIS MAIS RECENTES





quarta-feira, 4 de março de 2015

ENQUANTO UNS FALAM, OUTROS FAZEM – (Até pensei que fosse no Alandroal)

                                      Restaurante O Endovélico
Já  que os empreendedores Alandroalenses não tomam a iniciativa.... 
 Tanto se tem falado da importância da divindade e da sua época, do impacto que poderia atingir agora o turismo alentejano, etc. etc.,que se esperava que o Alentejo e em particular o Alandroal fosse palco de uma iniciativa.  Contudo, decisões, nunca delas me apercebi.
Mas, surpresa!! Já existe o Restaurante O Endovélico. 

Onde se podem saborear as bebidas daquele tempo (cerveja, sidra e hidromel) e petiscos que se inspiram nas tradições celta e lusitana; onde se podem escutar músicas, palestras e outras celebrações (danças, artesanato,etc.)


Ora anotem lá o endereço - R. do Bonjardim 680; o telefone 962002820. Onde? Ah! Já me esquecia: Porto. 

Colaboração MSubtil 


ORELHUDOS do CARAÇAS - Uma rubrica de A.N.B.

Introdução:
Incondicional apreciador da escrita e dos temas abordados pelo A.N.B., não posso deixar de tecer algumas considerações a propósito do texto que se segue.
Um misto de emoção e de saudade se foi apoderando de mim à medida que avidamente procedia à leitura deste relato a propósito de um familiar que me foi tão querido e a quem tanto fiquei a dever.
Além de meu tio, o Zé Luís foi um amigo do peito, um confidente, um pronto-socorro sempre presente ao menor sinal de alarme.
Muitas peripécias vivemos em conjunto, muitas horas de alegria e alguns momentos de sofrimento.
Partiu para sempre há relativamente pouco tempo. Se nasceu pobre, pobre desceu à terra, mas enquanto permaneceu entre nós nunca deixou de gozar a vida e principalmente de usufruir do maior prazer que desde sempre o acompanhou e marcou para toda a vida: o vício do jogo., responsável por tantos desequilíbrios na sua vida.
Fez questão de ser sepultado no Alandroal, terra que o viu nascer, que nunca esqueceu e de que tanto gostava.
«Tio Zé Luís, o elogio fúnebre que tanto merecias, e que não te foi feito, aqui fica elaborado por um amigo comum, que encontrou as palavras certas, que eu tanto gostava de te ter dito na altura em que de ti me despedi para sempre».
Obrigado TOIZÉ
Chico Manuel

                                                ORELHUDOS  do CARAÇAS  

                                      “Um Militar Civilista”


i)
Dado que não é, naturalmente, concebível uma identificação absoluta entre o vivido e o recriado pela arte da escrita, temos de começar este retrato e a lembrança de um Amigo assim:
    “Longas e animadas foram aquelas tardes de conversa aos domingos no Café Funchal (Madeira) onde regularmente se encontravam três alandroalenses, o militar-Sargento Zé Luís Ramalho, o Joaquim Palha e o ANB operador de reserva dos correios”.
Debatíamos, de alto a baixo e ao pormenor, tudo o que tivesse nome, sabor e parecenças do Alandroal: os amigos, as pessoas, as aventuras, as peripécias e o que demais houvesse de falar e só parávamos para aí… na “quarta invasão francesa. Isto pelos finais dos anos sessenta (69/70).

Éramos «três alandroais» num só vivendo na Madeira e no coração do Atlântico onde, aliás, também vivia em Câmara de Lobos, a Mariana, irmã da D. Aurélia, cunhada do Alexandre Recto.
O que nós mais queríamos reviver e ir mantendo era a cena dominical de estarmos, à conversa, três cúmplices alandroalenses, «em humoradas charlas orais» e sinfonia perfeita com a maneira de ser e de estar e a nossa antiga e reforçada “mística”.
Depois vinha facilmente ao de cima a narrativa encantatória, divertida e muito engraçada sobre certas figuras singulares e alguns figurões emblemáticos da nossa terra. Os importantes e os desimportantes; os pobres, os remediados e os ricos; o Zé Gato e o Zé mau olho. Isto para não falar - mui dignamente - dos Zés Trinta e Mira ou do clã dos Zés belos. Ou outros…
Acabávamos a tarde, invariavelmente, enredados «numa caldeirada do caraças»  e com as tripas poucos limpas após uns bons tintos que, o Zé Luís, fazia firme questão de ser da Vidigueira. Custasse o que custasse. Assim isto foi e era passado, mês após mês, na Madeira.

ii)
Mas quem era e quem foi afinal o militar civilista Capitão Zé Luís?
Porte alto e discreto tinha, em meu entender, uma personalidade apaziguadora e luminosa mais virada para dentro de si mesmo do que para grandes exteriorizações.
A mim, por exemplo, chamava-me “o Toizé” e com ele  debatemos por diversas vezes o papel do Prémio Nobel da Paz, Ramos Horta, que com Xanana Gusmão, protagonizaram a independência timorense e que o Zé Luís conhecera bem quando esteve em serviço militar em Timor Lorosae. Era por conseguinte um bom conhecedor de certos assuntos de relações internacionais daquela área indonésia dita do terceiro mundo.
Da Madeira até Timor passando por Évora, foi fazendo da sua vida uma “espécie de viagem poética” saída da fornada de seis irmãos e, por vezes, mais nocturna do que diurna. Ele que tinha começado, em miúdo, no Alandroal como humilde e simples ´Aguadeiro ao domicílio`.
Em Setembro, regressava sempre às raízes e origens da sua terra para retemperar as saudades e para perceber os motivos que o tinham levado por esse mundo fora. Nessas ocasiões falávamos bastante sobre questões profissionais.
Obviamente tinha uma relação especial e profundamente comunicativa com o sobrinho direito Francisco. Eram relações muito fortes e quase umbilicais que criaram e abriram espaço para quase tudo o que dois homens, ainda jovens, podiam fazer naquela altura da vida tais como:
- aventurarem-se em desejos solidários e solidões conjuntas;
-  desbastarem assados pascais na tasca do Eduardo;
- incursões pré- combinadas a…;
-« respeitáveis mulheres» partilhadas;
- jogatanas cúmplices de poker e de lerpa na SARA;
- lucros e prejuízos do jogo divididos no dia seguinte;
- espaços da cidade e de diversão do cais de Lisboa ao Cais do Sodré vividos furtivamente e a meias.
Ou seja, eram dois “eus” solidários numa planta só, por vezes, invisível e imaterial mas sempre partilhada e mutuamente marcante (aqui sei do que falo porque com o meu vivo Tio António, o da BASS, as coisas também se passavam assim).
Dele, do civilista militar, posso talvez dizer que “nunca fez uma coisa que não quisesse fazer” e que, mais do que ser uma pessoa com contradições com vícios e virtudes, nunca deixou de ser um Homem intenso que continha e praticava várias multiplicidades. Verdade e honra seja feita a este indomável percurso de vida.
Se estou certo nesta análise de uma pessoa de que gostava bastante, diria também que, o Zé Luís, era um homem bom, e um generoso filho do Alandroal, dotado de grande tolerância para com os outros.
Um “passageiro da vida” para quem uma boa e arriscada «jogatana de poker» eram um bocado o sal e o tempero libertador da sua vida.
iii)
Em resumo, pelo que pudemos conviver e apreciar no «civilista e capitão Zé Luís Ramalho» que tivemos sempre como um bom amigo, nos momentos certos, do nosso início de migrantes ilhéus, concluímos dizendo que sempre se fez à vida e ao mundo de dois modos.
Um oriental, solar e aberto às dificuldades de quem vinha e veio do nada; o outro ocidental, interior, porventura ultimamente com uma vitalidade anímica enfraquecida pelo cansaço urbano de uma vida que, entretanto, acabou por falecer apenas há uns dois/três meses (não tenho comigo a data exacta).
Talvez, por isso, uma das suas compensações e sortilégios possíveis estivesse onde sempre esteve e onde só poderia estar: numa paixão sem limites definíveis pela poker e que, ainda agora, estará novamente pronto a jogar como se, de um derradeiro gozo e lance original, ganhador ou perdedor, se tratasse.
Honra lhe seja feita, Zé Luís!
Porque se lá no céu «o calor da vida» deixou de ser o que era e Deus tem, de facto, mais em que pensar do que sentar-se à mesa consigo à frente de um pano verde… para mais uma saborosa jogatana até às tantas.
A vida terrena, no Alandroal e na Tapada das Caraças, essa também já deixou de ser o que era. A rua e “o oráculo” mantêm-se mas a verde mesa da Sara foi-se!  
Melhindaores saudações

    António Neves Berbem
        (4/Março/2015) 

Ps: Endereço a recordação deste texto à Família, e aos sobrinhos Francisco e Maria Jacinta… Flor(l)

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM


                                                O acessório e o essencial

Quarta, 04 Março 2015
Não tenho qualquer intenção velada de desculpabilizar ou culpabilizar o primeiro-ministro relativamente aos factos que o jornal público noticiara no passado sábado relativos ao não pagamento das contribuições devidas à segurança social, no tempo em que realizou trabalho independente.
Na verdade, do ponto de vista moral tanto é defensável, a tese defendida pelo primeiro-ministro de que não tinha consciência da sua dívida à Segurança Social, e, sobretudo, se atendermos às situações em que o contribuinte muda o seu regime, de trabalho por conta de outrem, para trabalho independente. Só quem não viveu tal situação é que não entende que é perfeitamente possível laborar em tal erro. Como, também, é defensável, em tese, que os detentores de cargos ou candidatos a cargos públicos devam saber qual é sua situação fiscal e contributiva.
No entanto, como cidadão que acredita, convictamente, no Estado de Direito democrático, não posso deixar de manifestar o meu desagrado ao facto dos agentes públicos, mormente, os detentores de cargos políticos recorrentemente, estejam sob suspeitas, algumas fundadas, outras, na maioria das vezes absolutamente infundadas, com eco dado nas páginas dos jornais. Não é, do meu ponto de vista, salutar para o regime democrático que a oposição politica se faça na comunicação social e muitas das vezes, com o recurso a inverdades e à descrição de factos de forma pouco rigorosa.
Com efeito, esta forma de fazer oposição aos líderes políticos não é nova nem inovadora, porém, retira as prioridades e os verdadeiros problemas do país da discussão pública e politica. Enquanto se discute o não pagamento das contribuições à S.S da responsabilidade do actual primeiro-ministro, não se discute o verdadeiro papel do Estado na sociedade e a forma como deva funcionar. Como também não se discute que para termos emprego pago condignamente, teremos de ter uma economia dinâmica e exportadora. A época do emprego público como a principal solução, deu no que deu. Em 40 anos fomos resgatados três vezes. Estamos a falar de dignidade e elevação neste particular. Estou em crer que não estaremos.
Em suma, para futuro dever-se-ia criar um órgão cuja competência principal compreendesse a possibilidade para atestar que um determinado cidadão ou determinada cidadã, está em condições perante a Lei de exercer um cargo político nos órgãos de soberania; presidência da república, assembleia da república e governo. Esta ideia não é inovadora, mas tanto quanto julgo saber tem permitido aos países mais civilizados de evitarem as confusões intencionalmente criadas no espaço mediático, entre aquilo que é o essencial e o acessório, para o progresso dos respetivos países.
José Policarpo

O ALANDROAL NA BTL

​O peixe do rio e a música tradicional fizeram o Alandroal destacar-se e brilhar mais alto no domingo passado, dia 1 de março, na BTL. Em destaque esteve a caldeta de peixe do rio, muito apreciada e elogiada por quantos a degustaram assim como, o Grupo Trigueirão no Relheiro que levou até à capital um pouco do Alentejo e da sua sonoridade.

Fonte: Site C. M. A. (onde poderá ver mais fotos)


DIVULGAÇÃO - MONTEMOR - O - NOVO


"OLHA M´ESTE"





«LAPSOS DE CONSCIÊNCIA»

Juro que não tinha consciência...
Acreditem, pois sou eu que digo,
Encontrar explicação não consigo,
Mas a culpa é da divina providência.

Só agora notificado da ocorrência
E informado que a dívida prescreveu,
Mesmo assim paguei tudo, penso eu!?...

Concluindo: sou um cidadão qualquer
Que se engana quando Deus quer,
E resolve ficar com o que não é seu!!

Poeta Vadio 

terça-feira, 3 de março de 2015

VI EDIÇÃO MOSTRA GASTRONÓMICA DO PEIXE DO RIO - ALANDROAL

                                                  EVENTOS DESPORTIVOS PROGRAMADOS





                                                                           E RECREATIVO


CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

                                                       Marketing

Terça, 03 Março 2015
Ir ou não ir à feira parece ter-se tornado um assunto de discussão pública. Isto entre “achismos”, ovações e pateadas, como é useira e vezeira a voz na praça pública, levando a exaltações que nos ensurdecem para explicações ponderadas e de quem percebe da poda, de quem tem visão para lá do aqui e agora e do que está à volta do seu umbigo.
Apesar de viver nesta região privilegiada da agricultura, neste lugar onde os quase-druídas da singela ervinha fazem o melhor acepipe e se deixa deliciado e aguado o estreante, repetente ou veterano de maratonas gastronómicas, exemplo excelente da patrimonializada dieta mediterrânica, não tenho nem a lavoura nem a restauração como negócio, passando até o ócio só pelos vasinhos de aromáticas no parapeito e pelos petiscos de quando em vez. Mas uma exposição mundial sobre alimentação, parece-me uma ocasião feita de propósito para nós, portugueses, de quem os governantes dizem precisarmos, e concordo inteiramente, que se faça diplomacia económica para exportarmos o que de melhor temos.
Estranho muito a decisão da não ida a Milão, como aplaudi a ida do cacilheiro da Joana de Vasconcelos a Veneza que, embora tenha beneficiado muitíssimo mais uma só pessoa, a própria Joana Vasconcelos que provou merece-lo pelo êxito que foi, proporcionou no tombadilho do Trafaria Praia que incluía um palco, a promoção da cultura portuguesa através de eventos dirigidos ao tipo de público que visitava a Bienal de Veneza, e com um a programação diária que ia desde mesas-redondas com agentes da cena artística portuguesa, até aos concertos com músicos portugueses e convidados de correntes musicais variadas, desde o clássico fado à experimental eletrónica.
É certo que ir à feira ao estilo do “fazer presenças” do famoso do Big Brother em discoteca de província não me parece grande investimento. Também por isso, quando vamos às feiras, enquanto visitantes e possíveis clientes, esperamos encontrar um pouco mais do que a foto do cenário, o panfleto e alguém à espera que lhe façam perguntas. E mesmo que os brindes pareçam ser uma mercadoria apetecida, por quem os distribui e por quem os coleciona, e que haja cada vez mais aqueles que “pintam a manta” para serem diferentes do banal, certo é que omarketing é todo um universo onde a imaginação e a criatividade podem ser postas a funcionar e revelam bem quem o faz, bem ou mal feito.
O marketing, em sentido estrito, é o conjunto de técnicas e métodos destinados ao desenvolvimento das vendas, e nele trabalha-se, muito provavelmente entre muitas outras áreas, os preços, as questões da distribuição, a essencial e pluriforme comunicação e, já agora, também o próprio produto que se quer vender. Mas o marketing é também um processo social, no qual uns obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros. Em marketing, o valor pode-se definir como os benefícios gerados para o cliente em razão do seu sacrifício em adquirir um produto ou serviço. Oferecer ou agregar valor é um conceito diretamente relacionado com a satisfação do cliente, e diz-se que é este um dos principais objetivos do marketing já que quem trabalha em marketing esforça-se para determinar quais são, então, as necessidades e desejos dos consumidores. Ora, quando tão naturalmente e com o toque português vamos tendo tanto e tão bom para dar a comer a esse mundo, o que não deverá faltar em Milão a partir do mês de maio e durante seis meses, seria oportunidade de termos cada vez mais apreciadores, importadores e investidores. Ou estamos em maré de podermos dizer que o que temos nos basta para continuarmos assim, muito simples e pequeninos e dizer: «Está booooom!»?
Cláudia Sousa Pereira



O forrobodó carnavalesco já lá vai. É de crer que estejam igualmente de partida a chuva, o frio, o vento agreste e, já agora, as danosas gripalhadas.
Março está aí à porta e, com ele, o despertar da Primavera. Porém, tal como aquela “triste e leda madrugada” celebrada por Camões, também o primeiro mês primaveril pode ser alegre e triste ao mesmo tempo.
Objectivamente alegre, porque surge habitualmente envolto numa sinfonia de novos sons e cores; subjectivamente triste, porque pode ser ensombrado por alguma triste lembrança.
No próximo mês de Março, vai fazer oito anos que morreu o escritor montemorense e nosso velhíssimo amigo João


Carlos Alfacinha da Silva, conhecido no meio literário por Alface.
Na altura, jornais, televisões e estações de rádio não deixaram passar em branco o desaparecimento deste extraordinário escritor e homem da comunicação. O jornalista Adelino Gomes, por exemplo, escrevia para o Público a seguinte notícia: “O escritor João Alfacinha da Silva, que assinava Alface, morreu ontem, aos 58 anos, depois de um AVC sofrido numa Comunidade de Leitores dedicada ao seu último romance Cá vai Lisboa.


O tempo passa depressa. No dia 1 de Março de 2007, o João encontrava-se em Lisboa, na Culturgest, para participar numa sessão publica de leitura de um dos seus mais conhecidos e polémicos romances. A referida sessão era dinamizada pela jornalista Maria João Seixas. A dada altura, o escritor sentiu-se indisposto e sucumbiu de forma implacável.
A este propósito, ouviram-se e leram-se os mais encomiásticos comentários: “Morreu no seu posto, em plena homenagem à sua obra e em plena festa dos seus leitores” ou “ O escritor que fez a sua saída do mundo dos pensamentos durante o bater de palmas do seu público” ou ainda “O Alface faz-nos muita falta!”
Para nós falar do João Carlos implica voltar ais anos 50, meados dos de 60, aos tempos do liceu, ou melhor, ao período em que  estudámos no Externato Mestre de Avis. Fomos companheiros de carteira e frequentemente cúmplices na feitura de algumas tarefas escolares: um tirava significados e traduzia; o outro dedicava-se ás retroversões. A divisão de tarefas estendia-se, por vezes, a outros(as) colegas da vizinhança. “O João era muito engraçado” – comentava um dia destes uma velha amiga.
Em matéria de leitura, o Alfacinha era um praticante acima da média. Raro era o dia em que, depois da saída do colégio não houvesse uma paragem na papelaria Mira para ir à procura dos últimos livros de aventura.
Não se julgue, porem, que o João era do tipo  “rato de biblioteca”, ou, como diria o  Bocage, “um memorião que engole dicionários. Como a maioria dos rapazes da sua idade, não dispensava uma boa jogatana de bola no Rossio. O Alfacinha era muito corajoso e um atleta de eleição. Arriscava meter o pé ou a cabeça onde os outros não ousavam fazê-lo. Mais tarde, seria assim a sua escrita: irreverente, ousada, desafiadora.
No ginásio do colégio, o filho mais novo do Dr. Vicente Silva era dos raros alunos que conseguia fazer o cristo nas argolas, revelando-se igualmente arrojado nos saltos e na trave.
No Verão a sua costela aventureira, meio vadia, levava-o até á Pintada e aos outros pegos do Almansor, autenticas piscinas naturais que serviam de escola de natação a muita gente.
O conhecimento que tinha do rio levou o Alface a escrever algumas das suas deliciosas páginas, de que partilhamos consigo, estimado leitor, alguns excertos:
Não chamávamos o rio a este Almansor que hoje nos ocupa. Umas vezes era r´bera, outras r´rebero e este hermafrodisismo fluvial teria possivelmente a ver com questões de caudal, mais amplo se feminino (a r´bera), mais esquelético, clandestino, sumido, quase renitente, na fase r´bero. Ou seja, um rio feminino no Inverno e masculino no Verão, o que não deixa de ser um excelente programa de festas para quem aspire à totalidade do Ser”.
No seu livro, Cuidado com os rapazes, Alface refere-se assim a um dos pegos da sua eleição: “Nos dias quentes de verão, quando o alcatrão derretia as ruas, o avô cumpria a sesta e eu escapava-me para o rio, enchendo a blusa de figos verdes, amoras e marmelos. O rei do rio era um guarda-florestal muito gordo que se orgulhava de ler o jornal enquanto boiava, e proibia mergulhos nos arredores. Nós apanhávamos rãs nos charcos para lhe enfiarmos palhas no cu e soprar. Quando se tira a palha elas zunem desinchando pelo ar e uma vez conseguimos acertar na barriga meio submersa do guarda que nesse dia nem teve tempo de ler os cabeçalhos e jurou vingança.”
Terminado o 5º ano, a ida do Alfacinha para Lisboa – primeiro para o Liceu de Oeiras e depois para a Universidade – acabaria por provocar algum afastamento físico de Montemor. Tal como aconteceu a muitos outros homens de letras, a Universidade não foi suficientemente aliciante para convencê-lo a concluir os estudos, primeiro em Direito e depois em Psicologia.


A distância física não impediu, no entanto, que fôssemos mantendo contacto em áreas de interesse comum, como era o caso do teatro. Foi através do Alfacinha que tivemos acesso pela primeira vez a peças de Bertol Brecht e a textos do grande mestre Stanislavski.
Apesar das mudanças e de alguns problemas de saúde que entretanto o afectaram, o João Carlos manteve sempre o seu espírito irónico, bem-humorado, por vezes sarcástico.
Num país de gente “séria”, que parece caminhar para um território de sisudas “formigas”, o ar descontraído, meio desalinhado do Alface, podia fazer pressupor, no espírito de alguns, tratar-se de uma “cigarra” avessa ao trabalho.
O jornalista Nuno Costa Santos, na edição de Dezembro da revista Ler, referia-se ao escritor montemorense do seguinte modo:
“Há quem diga que, cumprindo o estereótipo alentejano, se deixava amolecer nas redes da preguiça. Se foi, é preciso dizer que se tratava de um preguiçoso muito trabalhador.”
Aproveitando a boleia do excelente trabalho jornalístico realizado por Nuno C. Santos, deixamos aqui enumeradas algumas das múltiplas facetas profissionais do nosso amigo João Carlos, que vão desde a prosa literária, á publicidade, às notícias de rádio, aos guiões de telenovela, etc, etc, etc… Ora faça as contas, estimado leitor: jornal República; escrita para televisão, em programas como “Ensaio” e “Impacto”; participação na cooperativa de cinema, a Cinequipa; outros projectos televisivos, nomeadamente um telejornal alternativo para o Canal 2, que incluía nomes como Fernando Assis Pacheco e Eduardo Prado Coelho. Mas, há mais. Mantendo colaboração pontual com jornais e televisão, o João Alfacinha da Silva apostou, a determinada altura, na actividade radiofónica, onde escreveu noticiários e outros programas na antiga Emissora Nacional e na Rádio Comercial. Integrou equipas de redação que incluíam figuras como Joaquim Furtado e Adelino Gomes. Foi ele que escreveu os textos para o programa “ Marcas de um Século”, lidos aos microfones da Rádio Comercial FM por João David Nunes.
O João Alfacinha tinha, porem, uma característica muito singular. Era pouco dado a fazer fretes, a aguentar cangas, a suportar espartilhos. A partir de 1992, talvez devido a fadiga ou por sentir necessidade de experimentar outros horizontes, abandonou o emprego garantido e partiu à aventura, como free-lancer, num país nem sempre fácil no que toca às letras e às artes. O João lançou mãos de mil e uma actividades. Trabalhou em publicidade, adaptou peças de teatro, escreveu novelas, fez crítica literária para o jornal Expresso, colaborou com a Radigest, o jornal Tal & Qual e outras coisas que, certamente, ficam por dizer.
Nos últimos anos, isolava-se temporariamente em Montemor, na belíssima casa da Rua do Lavre, para se dedicar à escrita. Para desentorpecer vinha até à varanda de granito fumar a sua cigarrada ou comtemplar o pôr-do-sol. Na sala grande tinha montado um estratagema, com maços de tabaco no chão a servir de baliza, uma bola e um taco de golfe, para o estimular a fazer alguns movimentos.
Entre as longas horas de trabalho, havia paragens para ir às compras, cozinhar uma ou outra refeição com os amigos. Além disso nunca deixava de assistir às transmissões televisivas dos jogos do seu Benfica, a mor das vezes no Bacalhau ou na Pedrista, de preferência com umas imperiais e umas perninhas de rã a acompanhar.
Do ponto de vista literário, Alface é co-autor com Manuel da Silva Ramos de Os Lusíadas, As Noites Brancas do Papa Negro e Beijinhos. A solo, publicou: Cuidado com os Rapazes, O Fim das Bichas, A Mais Nova Profissão do Mundo e Cá Vai Lisboa.
É ainda autor de cinco histórias “juvenis” agrupadas sob o título de Uma Família Sem Mestre. Entre outros trabalhos que lhe conhecemos destacamos O Burro que Anda no Céu, história dedicada aos seus queridos netos.
A escrita do Alface era (ainda é) uma escrita inteligente, mordaz, bem-humorada. O invulgar domínio que tinha da língua portuguesa fazia com que o seu estilo oscilasse entre o purismo mais exigente, de uma enorme erudição, e os níveis de língua mais popular, recorrendo frequentemente ao palavrão. Acima de tudo, o seu modo de escrever deixa transparecer uma enorme liberdade, que era condição essencial da sua produção literária.
Terminamos com uma expressão sua, que utilizou no livro Cá Vai Lisboa: “Cada palavra sua festa. Festa brava”.
Até à próxima.
Vitor Guita

Publicado in “O Montemorense” edição de Fevereiro – transcrição autorizada pelo Autor






PROGRAMA DIA S. JOÃO DE DEUS - FERIADO MUNICIPAL MONTEMOR O NOVO



É NOTÍCIA NO ALENTEJO

A Câmara Brasil Portugal no Ceará é uma das apoiantes da Caravana Alentejana, evento que trará a Fortaleza os melhores vinhos e azeites típicos da região do Alentejo, Portugal, em um jantar que será realizado no dia 13 de março, no Moleskine Gastrobar.

Uma peça sobre heterónimos de Fernando Pessoa marca, na quarta-feira, o arranque d 2º Festival Internacional de Teatro do Alentejo (FITA) que decorre em Beja, Évora, Portalegre e Grandola.

Com nova direcção artística, o Festival Terras sem Sombra regressa na Primavera, iniciando o périplo musical, a 14 de Março, na Igreja de Santo Ildefonso em Almodôvar.

A candidatura do fabrico português de chocalhos a Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente foi aprovada recentemente pela Unesco. Esta candidatura foi apresentada em maio do ano passado e foi agora inscrita na Lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade por parte da Unesco. A decisão final será conhecida em novembro.


segunda-feira, 2 de março de 2015

O BORDA D´ÁGUA NO MUNDO RURAL -Rubrica mensal a cargo do Tói da Dadinha


                         « Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz »

AGRICULTURA – HORTA – JARDINAGEM – ANIMAIS

 AGRICULTURA – Preparar a terra para o milho e batata (de regadio). No Minguante (dia 13) podar ainda as árvores frutíferas e continuar os seus tratamentos. As laranjeiras devem ser pulverizadas com cal em pó ou em leite. Concluir as trasfegas do vinho e na vinha combater o oídio.

HORTA – Preparar as estacas para feijões e ervilhas. Semear abóbora, alface, beterraba, couves, nabiça, ervilha, espinafre, feijão, melancia, melão, pepino, salsa e tomate. Colher cebolas brancas, cebolinhos e rabanetes.

JARDIM – Semear amores-perfeitos, cravos, crisântemos e dálias. Colher as flores de tulipas serôdias, campainhas brancas, narcisos e goivos.


ANIMAIS – Vacinar os suínos contra doenças rubras e os bovinos, caprinos e ovinos contra o carbúnculo.


. Mudança para a Hora de Verão (adiantar o relógio 60 m à 1 hora) no dia 29 - DOMINGO DE RAMOS.

 Despeço-me com amizade

 Tói da Dadinha





MUDAM-SE OS TEMPOS...

RESUMO DE NOTÍCIAS REFERENTES AO ALENTEJO

O Alentejo domina o top 10 dos vinhos nacionais
Alentejo mostrou força na eleição do top 10 dos vinhos portugueses promovida pela Essência do Vinho, certame que decorre no Porto.  

Em 2015 O Festival Internacional de Teatro do Alentejo (FITA) que decorrerá de 04 a 28 de Março trará às cidades de Beja, Évora e Portalegre uma intensa actividade cultural. Na programação desta Festa do Teatro que se realiza pela segunda vez, constam companhias profissionais de teatro portuguesas e estrangeiras vindas de Cuba, Colômbia, Espanha e Equador.
O Centro de Negócios Transfronteiriço, em Elvas, recebe esta segunda-feira, 2 de Março, a apresentação do novo Programa Operacional Regional do Alentejo – Alentejo 2020.



CENTRO CULTURAL DO ALANDROAL PROMOVE CONCERTO

Seven Dixie interpretou temas imortalizados por grandes músicos, onde o humor acompanhou ritmos frenéticos e intensos.

Presença da Rádio Campanário que elaborou reportagem fotográfica e áudio que pode consultar AQUI

HABITUAL CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA DIARIAMENTE PELA RÁDIO DIANA/FM

                        Pela Dignidade do Trabalho

Segunda, 02 Março 2015
Na passada sexta-feira, a Assembleia Municipal de Évora aprovou uma moção apresentada pelo Bloco de Esquerda que condena a utilização de Contratos Emprego Inserção, recomendando à Câmara Municipal de Évora a recusa da prática abusiva de recurso a estes Contratos, não dando início a novas situações.
Os Contratos Emprego Inserção (CEI) são, atualmente, uma importante forma de desregulamentação legal na área laboral e uma das mais brutais facetas do desrespeito pelos direitos e pela dignidade dos e das cidadãs. Trata-se de trabalho não voluntário e sem remuneração, para cumprir funções públicas, imposto a quem, por direito, tem acesso a apoio em situação de desemprego.
Na origem desta medida está a ideologia que faz equivaler direitos a luxos. Ou seja, foi uma das mais bem-sucedidas medidas para tentar banalizar a ideia de que os direitos são para abater. O direito ao subsídio de desemprego, que resulta de prestações pagas por pessoas que deixaram de ter trabalho porque foram despedidas, passa assim a ser condicional. Esta ideologia pretende dizer-nos que, para merecermos o nosso devido apoio no desemprego, temos de trabalhar sem retribuição.
Atualmente são mais de 55 mil as pessoas que trabalharam no setor público ao abrigo de CEI. Trabalham nas escolas, nos centros de saúde, tratam dos jardins das cidades, recolhem os resíduos urbanos, trabalham na segurança social, nas finanças nos tribunais ou nos museus. São mais de 55 mil pessoas que trabalham, têm horário de entrada e de saída, têm chefias, estão integradas em equipas, têm posto de trabalho definido e funções atribuídas. São mais de 55 mil trabalhadoras/es que criam legítimas expectativas de virem a ser contratadas, embora tal nunca venha a acontecer. São mais de 55 mil pessoas que, conjuntamente com todas as restantes pessoas desempregadas, têm direito ao trabalho com direitos e à dignidade no trabalho. São mais de 55 mil pessoas que bem sabem que a expressão “contrato de emprego inserção” encerra três mentiras: não são contratos porque não há qualquer vínculo; não são emprego porque não pressupõem salário; não são inserção porque nunca são contratadas. São mais de 55 mil pessoas que são mandadas embora quando o prazo acaba, desumanamente trocadas pela leva seguinte de CEI.
Esta medida é, pois, o sonho da sobre-exploração a partir do apoio do Estado, capturado pelo liberalismo mais agressivo: Estado mínimo, trabalho forçado, pressão sobre o salário e o emprego, humilhação sobre quem está vulnerável para ameaçar toda a gente. É tradução em lei das investidas de Paulo Portas e da direita mais retrógrada, que pretende a humilhação dos desempregados e colocar remediados contra outros pobres.
Esta situação é inaceitável e não pode continuar, sendo certo que quem recorre a estas medidas torna-se cúmplice deste ataque aos direitos dos cidadãos e cidadãs do nosso país.
Até para a semana!

Bruno Martins