quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

RESUMO DE NOTÍCIAS REFERENTES AO ALENTEJO

A Revista Mais Alentejo, coloca a votação os “Prémios Mais Alentejo”, também conhecidos  como os “Globos de Ouro” do Alentejo. As votações decorrem até ao dia 28 de outubro, no site (clique para abrir) e a Gala “Prémios Mais Alentejo 2014” vai ter lugar no Teatro Pax Julia, em Beja, no dia 31 de outubro.


Hoje, dia 2 de outubro, às 18h30, terá lugar na Biblioteca Pública de Évora a conferência 'Olhar de perto e de longe', proferida pelo Professor Doutor Victor S. Gonçalves (arqueólogo - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), integrada nas 8.as Conferências do Cenáculo, organizadas pela Direção Regional de Cultura do Alentejo, Biblioteca Pública de Évora/Biblioteca Nacional de Portugal (BPE/BNP),  Câmara Municipal de Évora (CME) e  Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades da Universidade de Évora (CIDEHUS/UE).

O presidente do Conselho Distrital de Évora da Ordem dos Advogados, Carlos Florentino, manifestou-se preocupado com a inoperacionalidade da plataforma informática da justiça, o Citius.

A Câmara de Montemor-o-Novo instalou cinco quiosques multimédia na cidade, no âmbito do plano de divulgação e comunicação do programa “Montemor, pedra a pedra”.

Animação de rua, uma exposição e espetáculos de dança, música e teatro vão animar, entre hoje e sábado, a cidade de Évora durante o Festival de Expressões.












E SE ONTEM SE COMEMOROU A MUSICA, PORQUE NÃO HOJE COMEMORAR A DANÇA? - DESCONTRAIA!

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

TEXTO ALUSIVO AO DIA QUE HOJE SE COMEMORA – DIA MUNDIAL DA MÚSICA (Enviado por um leitor amigo do Al Tejo)

                                Música, a magia dos sons, celebra-se a 01 de Outubro 
No dia 01 de Outubro comemora-se, em todo o mundo, o  Dia Mundial da Música, uma arte que é preciso aprender a apreciar, tal como a pintura, o desenho e a escultura. 
Uma ciência pela forma engenhosa como combina o ritmo, a melodia e acaba o seu belo quadro com harmonia.
Qualquer que seja a forma e o estilo, a música é a magia que entrelaça os sons com os silêncios, deixando no ar o fascínio e a grandeza da criação.
Foram os gregos que estabeleceram as bases para a cultura musical do Ocidente. 
A própria palavra música nasceu na Grécia, onde "Mousike" significava "A Arte das Musas". 
Era uma arte que abrangia, ao mesmo tempo, a poesia e a dança, e todas eram praticadas de modo integrado. 
Por exemplo os poemas recitavam-se com acompanhamento musical da Lira, daí o nome "Lírica" para denominar esse género poético.
Os instrumentos principais eram a cítara, a lira e o aulos (instrumento de sopro).
Os gregos atribuíam aos deuses a sua música, definindo-a como uma criação integral do espírito, um meio de alcançar a perfeição.
O desenvolvimento da música paralelamente ao próprio desenvolvimento das cidades gregas, fez com que surgissem teorias filosóficas que procuravam compreender o seu significado e importância.
A data de 01 de Outubro, para comemorar o Dia Mundial da Música, foi instituída em 1975 pelo International  Music  Council, uma instituição fundada em 1949 pela UNESCO, e que agrega vários organismos e individualidades do mundo da música.
A proposta de consagração de um dia do calendário para celebrar a Música veio do violinista Yehudi Menuhin, um pioneiro da música desaparecido em 1999.
Esta proposta tinha como objetivo a promoção da arte musical em todas as suas vertentes, evolução de culturas, paz, amizade e sempre, sempre muito divertimento.
 Em Portugal esta efeméride é celebrada em muitos locais com a realização de concertos e outras apresentações em que a música é o elemento principal.
 Mais uma vez no Alandroal a MÚSICA e a sua importância passou ao lado, e que não nos venham dizer desta vez que não há dinheiro e que a culpa é de alguém, temos por cá uma excelente banda que poderia e devia ter brindado a música, a crianças e adultos se houvesse por aqui é claro, gente de cultura que a soubesse dinamizar e fomentar, e um executivo com uma política cultural séria e estruturada.
Por aqui mais do mesmo, a continuação do nunca visto e conseguido, a continuação da anti cultura sem música no dia da música e na maioria dos dias do ano.
Um amigo do Al Tejo
Devidamente identificado pelo Administrador do blogue



HOJE DIA DO IDOSO A QUE SE ACRESCENTA O DIA MUNDIAL DA MUSICA


CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                              Vitória do retrocesso?!?

Quarta, 01 Outubro 2014 10:01
Sendo adversário político de António Costa não me impede de o felicitar pela vitória obtida nas primárias ocorridas no passado domingo. Vitória essa que fora expressiva, e, por esse facto, António Costa saiu deste escrutínio fortemente legitimado pelo seu partido para se apresentar como candidato às próximas eleições legislativas.
Quanto às eleições primárias serem um avanço para a democracia, não estou certo dessa evidência. A liberdade de filiação partidária está consagrada e todos aqueles que pretendam escolher um líder poderão fazê-lo nesse âmbito. Pelo que a abertura aos não militantes para a escolha de um candidato a primeiro-ministro, poderá desvirtuar a natureza dos partidos naquilo que eles de mais íntimo significam para os militantes respectivos. São estes que organizam e dinamizam as respectivas máquinas e melhor conhecem os seus líderes. Podemos, por isso, e, salvo melhor opinião, com esta deriva estarmos a criar as condições para a abertura da “porta” que permitirá a chegada de um ou de uma populista que desrespeitem e mal tratem os valores da Liberdade, solidariedade e igualdade.
Ora, penso que nisto estejamos todos de acordo; embora a democracia representativa e parlamentar encerre em si mesmo muitas imperfeições, não nos fora dado a conhecer um outro regime que salvaguarde tantos interesses a tantas pessoas.
Voltando à vitória política do António Costa, no meu ponto de vista, esta encerra e compreende o regresso de tudo aquilo o que o actual Governo desmascarou e pretendeu contrariar nos últimos tês anos da presente governação. O despesismo da actividade pública sem contenção e controle.
Na verdade, a maior parte dos apoiantes do António Costa são os mesmos que estiveram e apoiaram o governo liderado pelo pior primeiro-ministro da nossa jovem democracia. Ele tem um rosto e tem um nome. José Sócrates. Será que volvidos três anos, muitos de nós, já olvidaram tal facto?!? Quero crer que não.
Dito isto, a discussão politica deverá passar, para bem do nosso sucesso colectivo, por explicar aos portugueses e ás portuguesas, que, as politicas do endividamento público e privado, irresponsável e improdutivo poderá contribuir para ganhar eleições, mas não servem nem servirão para constituir um futuro condigno para uma nação.

José Policarpo

O BORDA D´ÁGUA NO MUNDO RURAL - MÊS DE OUTUBRO - Rubrica do Tói da Dadinha


                                 «OUTUBRO QUENTE TRAZ O DIABO NO VENTRE»

AGRICULTURA – HORTA – JARDINAGEM
AGRICULTURA – Iniciar a colheita da azeitona e combater a gafa. Semear cereais praganosos. No Minguante (dia 15) estercar as covas para árvores a transplantar na Primavera. Plantar árvores de fruto e podar (corte diagonal) as árvores resistentes ao frio.

HORTA – Resguardar de geadas e preparar canteiros para a sementeira de alface e cebola. Semear em local definitivo agrião, cenoura e rabanete. Colher feijões. No fim do mês, plantar morangueiros, alhos e cebolinhas. Colocar em local definitivo as couves de Primavera e a alface de Inverno. Colher a noz, abóbora e melão de Inverno.

JARDIM – Estrumar, semear flores e plantar roseiras, crisântemos, lírios, narcisos, tulipas, ciclames, açucenas, jacintos, junquilhos, anémonas. Colher as flores do Outono: dálias, rosas, etc..


Conselho meu: Não se esqueçam de colher a tempo os marmelos e as gamboas para confecção da Marmelada e de a expôr um pouco durante o dia á luz do Sol, em pequenos recipientes de barro ou de louça. Não deve apanhar água. BOM PROVEITO.

Despeço-me com amizade
Tói da Dadinha



OH ABREU ! ONDE É QUE PARA O MEU?

Cinco milhões de euros obrigaram a uma reunião sobre assinaturas. Em causa estaria uma forma de legitimar um pagamento que estaria já a ser investigado, conta o jornal i, que fez a reconstituição de uma reunião particularmente reveladora, do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo (GES).

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

CRONICA DO DR. MANUEL INÁCIO PESTANA – XXI

No inicio dos anos 90 do passado século, era editado no Alandroal o “JORNAL DA BOA NOVA”
Era o mesmo apresentado como Boletim Paroquial do Concelho do Alandroal, e teve como fundadores o P. Manuel Botelho e o P. António Santos, continuado pelo P. João Canha. Ainda tive na altura o privilégio de ver alguns textos meus serem publicados no referido mensário.
Alem das notícias referentes a todo o Concelho do Alandroal, e à sua vida paroquial, incluía o mesmo, sempre a fechar, uma Crónica da autoria do saudoso Dr. Manuel Inácio Pestana.
O Dr. Manuel Inácio Pestana, figura grande da gente alandroalense e que bem alto levou o nome da terra que o viu nascer e crescer.
Nunca é demais relembrar que legou todo o seu espólio literário à Biblioteca Municipal assim como nunca deverá ser esquecido de exigir de quem de direito a conservação e o dever de o facultar a quem interessado.

Rebuscando alguns exemplares do Jornal da Boa Nova, propomo-nos relembrar algumas das Crónicas inseridas no mesmo da autoria do Dr. Manuel I. Pestana, que nos recordam tempos, locais e hábitos, dum Alandroal remoto, não deixando de equacionar algumas questões pertinentes.

Chico Manuel

ÚLTIMA CRÓNICA:
                                                      «ALANDROAL, MINHA PÁTRIA»

                                                              A Banda mais antiga do Alentejo

Assim designava o saudoso historiador Túlio Espanca (“Inventário Artístico do Distrito de Évora – Zona Sul”, pág 730) a Banda Municipal do Alandroal, inicialmente designada Filarmónica.
Refere  este autor que a briosa filarmónica do Alandroal se ficou a dever á iniciativa de Francisco António Franco (que viveu entre 1796 e 1883), mestre de música e cantor da Real Capela de Vila Viçosa e ao eborense José Maria Morte.
Notáveis músicos foram estes. O primeiro admitido no antigo Real Colégio dos Reis, de Vila Viçosa terra onde nasceu.
Quando tinha apenas 8 anos de idade, depressa revelou o seu génio musical e especial vocação para o canto. Tornou-se, assim, mais tarde um mestre consagrado, ensinando meninos das primeiras letras, chegando a ser professor de música do Padre Joaquim da Rocha Espanca, o notável autor das “Memórias de Vila Viçosa” que igualmente se tornou musico e compositor.
Francisco Franco, que é lembrado na toponímia Calipolense na Travessa do Franco, local onde residiu num prédio que faz esquina do lado norte da Rua das Vaqueiras, actual Rua Câmara Pestana), viveu durante cerca de 9 anos na nossa vila, em exílio por ser miguelista, e foi então que com o músico José Maria Morte, fundou a nossa vetusta banda alandroalense, o que deve ter acontecido nos primeiros tempos do seu exílio, isto é, em 1834 ou 1835, merecendo, pois, pela obra que aqui deixou, a melhor das homenagens dos alandroalenses á sua memória.
Da história da música, nesta boa terra de vocações artísticas, bom seria que quem ainda possa ter memória antiga  da filarmónica ou filarmónicas que houve no Alandroal desse delas as melhores notícias. Aguardemos.
A bem da nossa terra e das nossas tradições.

Manuel Inácio Pestana
Publicado no Jornal Boa Nova  em Abril de 1999

HABITUAL CRONICA DIÁRIA TRANSMITIDA NA RÁDIO DIANA/FM

Com a devida autorização da : http://www.dianafm.com

                                          Outsiders inside

Terça, 30 Setembro 2014 10:28
Há momentos e situações nas nossas vidas em que nos sentimos outsiders. E há aqueles que fazem disso o seu modo de se dizerem que estão no mundo e como vivem em sociedade.
É-se outsider ou porque nos fazem, ou porque procuramos sentir isso mesmo. O outsider pode ser um marginalizado, e aqui com uma carga negativa que a palavra traduz, mas se assim é, é-o sempre da perspetiva dos que estão dentro do grupo a que não o deixam pertencer. O outsider pode também ser um desalinhado, desta feita mais definido pelo lado do próprio, até com uma espécie de orgulho em ser diferente, de querer remar contra a maré, e não achar piada a multidões, mais ou menos viradas para o mesmo lado.
Os dois extremos parecem-me muito desagradáveis, ora porque é claramente discriminatório, ora porque é impeditivo de passarmos o tempo que nos cabe nesta vida ao lado de muitas mais coisas do que as que certas inevitabilidades nos obrigam a passar. Não precisamos de ser marginalizados nem de gritarmos o nosso desalinhamento para querermos estar de fora de certas situações. Por outro lado, reconhecer que se está in ou out de algum grupo é reconhecer-lhe os limites e saber cumpri-los. E é por isso que nas áreas das ciências humanas e sociais é, por exemplo, tão difícil estudar algumas religiões e sociedades ou associações de pessoas, algumas tão fechadas que se dizem secretas. Por outro lado, é inegável que só os membros de certos grupos possuem, nesse território e assunto, acesso privilegiado ao conhecimento, aos recursos e à própria autoridade. E que os que estão outside, isto é, os de fora, pelo mesmo motivo, têm menos ou nenhum acesso.
Neste domingo que passou, em Portugal, muitos tiveram a oportunidade de exercer um direito que não é dado por todas as associações de pessoas em torno de ideologias e princípios, e que são neste caso os partidos. Muitos que não querem, porque não estão interessados em ter esse acesso privilegiado ao que se passa dentro de um partido, tendo por isso sobre ele, em princípio e quando se levam as coisas a sério, conhecimento, recursos e, de certa forma dependendo de circunstâncias várias, autoridade estatutária (já que a moral não depende deste tipo de limites), muitos puderam fazer-se ouvir dentro desse partido, aquele com o qual se identificam politicamente, dando-lhe o voto e até mesmo a cara por ele.
O Partido Socialista fez História no dia 28 de setembro de 2014 no Portugal democrático. E porque é nos princípios deste Partido que me revejo, fiquei contente com o facto. Senti-me uma outsider inside que, tendo uma opinião pessoal, não a quis assumir publicamente, porque quando se votam pessoas e não programas ou propostas, aprendi ao longo da vida, o voto não é de braço no ar. Lamentavelmente, percebemos com esta primeira experiência o quanto o debate resvalou para questões de caráter, avaliáveis em medidas e conhecimento dos envolvidos de forma muito mais difícil, para não dizer impossível. E até porque, independentemente do resultado, o que me interessava era que, finda a contenda interna que fica, espero, já no passado, não se desvirtue no futuro este espírito inovadoramente democrático que caracteriza o Partido pelo qual, aliás, já por duas vezes fui eleita pelos cidadãos eborenses.
Como fiquei contente quando alguém de dentro de um órgão do Partido, que eu não sei, nem precisava de saber, de que lado das duas propostas que me faziam no boletim de voto estava, me pediu para colaborar se necessário no processo desse ato histórico, no próprio dia. Os teóricos da abertura dos Partidos à sociedade, que afinal servem, tiveram a sua primeira aula prática.
Claudia Sousa Pereira


INFORMAÇÃO DA C.M.A.

I “CÃOminhada” em Alandroal

Para assinalar o Dia Mundial do Animal, 4 de outubro, a Câmara Municipal de Alandroal está a organizar, pela primeira vez, uma “CÃOminhada” no concelho com o objetivo de promover o convívio e a socialização entre cães, ao mesmo tempo que sensibiliza os donos para os cuidados a ter com estes animais de quatro patas.
Com um percurso de dificuldade reduzida, 4,5 kms, pede-se aos donos que saiam de casa e venham caminhar com o seu animal de estimação neste dia tão especial. A data coincide com a época da morte do padroeiro dos animais, São Francisco de Assis e é um pouco comemora em todo o mundo, algo que a partir de agora também vai acontecer no Alandroal.
Todos os cães podem participar na atividade, sendo obrigatório o uso de trela e coleira ou peitoral, bem como açaime nos casos em que a lei o obriga. A organização disponibiliza bebedouros e sacos para os dejetos, sendo cada dono responsáveis por levar a água do seu cão e pela recolha dos dejetos.
As inscrições são gratuitas e devem ser formalizadas, durante a semana, no Posto de Turismo ou no próprio dia até às 10 horas junto ao Mercado Municipal.



MEMÓRIAS CURTAS - Rubrica mensal do Prof. Vitor Guita


Em Setembro, torna-se quase imperativo falarmos da Feira da Luz. Já o fizemos, por diversas vezes, em Memórias anteriores.
A Feira é, desde há longuíssimos anos, um dos maiores acontecimentos que ocorrem anualmente em Montemor. Perde-se no tempo a sua realização. Para muitos, foi e continua a ser o grande acontecimento.
Armámo-nos em andarilhos de memórias e, de caneta e papel em punho, fomos à cata de recordações da grande festa e de episódios que giram á sua volta. Ouvimos relatos que são espelhos de uma época, seis ou sete décadas atrás. Talvez um pouco mais. Registamos impressões de um mundo que já não há, com os seus encantos e desencantos.
Desta vez tomámos nota de experiências vividas por familiares e amigos, nascidos e criados em Patalim, a meio caminho entre Montemor e Évora. Estivemos ali, num animado bate-papo, sentados nos portados do velho monte, a dois passos da estrada. Enquanto conversávamos, fomos desfrutando a branda luz do fim da tarde, a frescura do ribeiro e da água que jorra das bicas todo o ano. De quando em vez, o nosso olhar deslizava pelos campos em volta, de sobro e de azinho. Muitos deles já foram, em tempos, chão que deu trigo e outras searas. Muitas daquelas árvores multisseculares ocultam histórias feitas de alegrias e tristezas, que, juntas, dariam uma boa tragicomédia. Quantos daqueles sobreiros e azinheiras gigantes, já abrigaram da chuva e da torreira do sol, ranchos de trabalhadores, mas também malteses e ciganos.
Bem! Vamos lá a caminho da feira.
Em Patalim, a Feira de Setembro fazia-se anunciar muito antes do Domingo inaugural. Com três dias de avanço, começavam a desfilar, ao rés do caminho alcatroado, rebanhos de vacas, ovelhas e outros animais. Há quem tenha memória de ver passar, entre chocas e campinos, curros de touros poderosos, deixando para trás uma densa nuvem de poeira. Se os campinos decidiam parar, enquanto um deles ia até à venda molhar a goela e tirar um petisco, os outros ficavam de roda do gado bravo, nas imediações do monte, à espera de serem rendidos. Não existiam as vedações que há hoje, o que gerava uma certa inquietação nos habitantes do lugar. Regra geral, os touros passavam indiferentes aos gritos e gestos do pessoal que se empoleirava nas árvores e no pontão, por cima do ribeiro.
Quando se tratava de gado manso, vaqueiros e pastores davam uma qualquer recompensa à garotada para ficar a olhar pelos rebanhos. A malta já estava feita áquilo. Ao longo do ano, era frequente passarem por este lugar, animais e carroças, transportando as mais diversas mercadorias. Um número significativo vinha das bandas de Bencatel ou das terras vizinhas, com grandes carregos de cal. No regresso, levavam sacadas de sal grosso. Enquanto largavam por ali, carros e bestas e iam beber um copo, os homens das carroças necessitavam de alguém que ficasse de guarda. Era aí que a malta miúda entrava de serviço.
Voltemos de novo à festa.
A Feira da Luz era um momento marcante para as gentes do concelho. Para as mulheres, em particular, era atura de estrearem vestidos, malas e sapatos. As mulheres de Patalim não fugiam à regra. Cada qual trajava o melhor que podia, de acordo com as possibilidades de momento.
Uma das vizinhas com quem falámos lembra-se de uma vez, ter levado à feira umas alpercatas com borlas na frente a enfeitar. Era o melhor que tinha. A jorna era magra. Não dava para sapatos.
Apesar das dificuldades, no fim das colheitas sempre entrava mais algum dinheiro em casa. Entre meados de Agosto e a Feira da Luz, contratados e lavradores acertavam as contas. Em muitos casos renovavam-se os contratos para o novo ano agrícola. Entre o deve e o haver, sobejavam uns cobres para o pessoal se empapoilar um pouco melhor.
O fim do Verão era, por norma, um tempo de maior fartura. Havia trabalhadores que cultivavam uns bocados de terra, que lhes eram distribuídos pelos lavradores. No fim, consoante os casos, entregava-se aos proprietários uma certa percentagem da produção. Acontecia, por vezes, que os donos das terras não queriam mais do que o amanho das mesmas.
Habitualmente colhia-se uma porção de milho, de abóboras, de grão, de feijão-frade…uma parte dos rurais fazia o seu próprio meloal. Se as coisas corriam bem, guardavam-se melancias, melões marmelinho e outra fruta, nem que fosse debaixo da cama.
O malvado do dinheiro é que era pouco e não faltavam dívidas na mercearia e na taberna para pagar. Alem disso, era preciso acertar contas com o Manel do Cântaro, os Abílios e outros vendedores ambulantes. Na volta, lá se ia parte do grão e do feijão.
A propósito de dívidas e pagamentos, um dos nossos familiares recorda-se de ter comprado um relógio de pulso ao José Luís, um conhecido ourives que andava de monte em monte a vender artigos de relojoaria e ourivesaria. Vinte e cinco tostões por semana era quanto o Serranito tinha de por de lado para pagar o Actuel em segunda mão. O relógio custou-lhe oitenta e cinco escudos.
Alguns dos vendedores ambulantes negociavam,entre outras mercadorias, fato feito, linhas, botões, tecidos a metro (chitas, riscados, gorgorinas…). A costura fazia parte dos hábitos femininos. Ainda o sol não era nascido já havia mulheres lançadas a costurar, antes de enregarem na lida do campo. Algumas em vez da sesta, no intervalo do trabalho, aproveitavam para fazer renda e dar mais uns pontos.
Era preciso aproveitar tempo e dinheiro. Andar ao rabisco da cortiça ou do carvão era uma das formas de se ganhar mais algum. Contaram-nos situações em que o dinheiro do rabisco ajudou a pagar o enxoval.
Trabalhos e sacrifícios á parte, em dias de feira, por volta do meio-dia, o pessoal de Patalim estava na estrada, pronto para embarcar na camioneta até Montemor. “ Uma bela hora para se ir para a feira, não haja duvida” – ironizou uma das nossas parceiras de conversa, enquanto outra comentava – “Àquela hora estava um calor parvo para andar de carrossel e passear no meio da poeirada!”.
Na paragem do Patalim, juntava-se um magote de populares, em grande parte mulheres, que dava para encher uma camioneta. Alem do pessoal do lugar, vinha gente do Monte da Parreira, da Azinheira e de outros montes em redor. Tudo estava previamente acordado com o Senhor Agostinho da Setubalense, que já sabia qual o número de passageiros e a hora a que tinha que os vir buscar. À noite, à hora combinada, acontecia o movimento inverso.
As compras na feira, passavam frequentemente pela aquisição de umas cadeiras empalhadas, artigos de palma, louça de barro, roupa…Havia quem levasse para casa bonecas de papelão.
A dado momento, a conversa degenerou em galhofa, quando alguém se lembrou de ter ficado sem boneca logo a seguir à feira. O brinquedo de papelão não resistiu ao primeiro banho a valer.
Quanto aos homens, iam à procura de mantas, gabões, chapéus, samarras, safões…Os amantes das touradas não dispensavam uma boa corrida, debaixo de um sol inclemente. Era a oportunidade de verem os cavaleiros João Nuncio e Simão da Veiga, a Conchita Cintron, os forcados da terra. Para muitos, a festa dos touros e o circo eram dos raros espectáculos a que tinham direito durante o ano inteiro.
Vamos ficar por aqui. Em vez de andarmos a rebuscar mais fotografias antigas para compor a nossa página, lembramo-nos de juntar os versos de um grande poeta de Montemor, que tão bem soube retratar a nossa terra. Deixamo-lo estimado leitor, com a Feira da Luz, de Manuel Justino Fereira:

Amêndoas, cestas de figos
E carradas de melão!
Capotes, trajos antigos
E barracas de torrão!

Vinham de longe feirantes
Vinham ganhões e pastores…
E das herdades distantes
Vinham patões e feitores!

Fruta, cebolas e alhos,
Alfarroba e ervilhanas…
Guizeiras, molins, chocalhos
E mantas alentejanas!

Por toda a parte se via
Barracas…divertimentos
E uma libra valia
Apenas quatro e quinhentos!

De todo o lado chegavam
Trens, carroças, churriões…
E os miúdos compravam
Brinquedos a dez tostões!

Quando um toiro bravo fugia
Para as bandas da Estalagem,
Era sempre uma razia
Nos burros da ciganagem!

Depois da besta ferrada,
Um almoço alentejano!
De tarde ia-se à tourada
E à noite ao Circo Mariano!

Feira antiga, podes crer,
Mesmo longe…na distância…
Tu continuas a ser
A Feira da minha infância!

Manuel Justino

Artigo de Vitor Guita publicado in “o Montemorense de Setembro 2014 e transcrito após autorização do Autor





POEMA ILUSTRADO DA LISETTE