quarta-feira, 30 de Julho de 2014

NO ALENTEJO

O adutor Pisão/ Beja, que irá garantir a adução de água à barragem dos Cinco Reis e servir 10.700 hectares de dois blocos do Alqueva, foi inaugurado esta terça-feira, 29.

A Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC) está contra o acordo celebrado entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses sobre a criação do Fundo de Apoio Municipal.

O deputado do PS eleito por Beja está preocupado com as consequências da utilização dos fundos do InAlentejo e do POVT para financiar as obras finais do Alqueva.
Apesar de defender a conclusão rápida do projecto, Luís Pita Ameixa pretende “conhecer as consequências da decisão política de financiar a parte restante do projecto Alqueva Agrícola, não por fundos agrícolas, como na parte já executada, mas por fundos primacialmente concebidos e destinados a outros fins e destinatários”.

A Concelhia do Crato do PCP apresentou ontem uma queixa-crime contra o presidente do município, o socialista José Correia da Luz, no Tribunal de Portalegre. Em causa está uma alegada falsificação de “todas as deliberações” da reunião extraordinária da câmara do dia 08 de julho.

O Grupo União Sport irá defrontar o Futebol Clube Oliveira Hospital na 1ª eliminatória da taça de Portugal, sendo o jogo disputado no Estádio 1º de Maio no dia 6 de Setembro. Por sua vez o Atletico de Reguengos joga contra o Aljustrelense e o Moura desloca-se ao Praiense. (vide sexta-feira calendário completo em Página Desporto)

A Ermida de São Pedro da Ribeira em Montemor-o-Novo foi classificada como monumento de interesse público, pela Secretaria de Estado da Cultura.

A Câmara de Mora (CDU) vai interpor uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja para tentar impedir o encerramento da Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico de Brotas, previsto pelo Governo.

Carlos Pinto Sá (Presidente a CIMAC9 Évora) e Hortensia Menino (Presidente Camara Montemor e da CIMAC) estão contra o acordo entre o Governo e a Associação Nacional de Municipios acerca do Fundo de Apoio Municipal (FAM) 



MEMÓRIAS CURTAS - Rubrica mensal a gargo de Vitor Guita

                                        MEMÓRIAS CURTAS – Mês de Julho

As memórias deste mês vão ser lambuzadas de mel, á mistura com pinhões torrados. Dito noutros termos, vamos falar, a determinado passo, de pinhoadas.
Antes, porem, permita o estimado leitor que lhe diga que, lá em casa, o mês de Julho era tempo de pensar em férias. Ouvíamos constantemente os mais velhos a delinear planos e a fazer contas de cabeça, sem que ninguém os acusasse de viverem acima das suas possibilidades. Também, verdade seja dita, talhava-se o pano à medida da obra e, há sessenta anos não havia publicidade a fazer apelos do tipo “Vá de férias primeiro, pague depois” e outras perigosas seduções do mesmo género.
Por causa da praia, as alternativas passavam habitualmente por alugar um quarto na baixa de Setúbal, desfrutar uma quinzena na pacata baía de Sines ou conseguir um turno de vinte dias na colónia de férias da FNAT, na Costa da Caparica. Em anos de orçamento mais apertado, ia-se até ao campo, aqui nas redondezas, fazia-se uma viagem relâmpago mais a Norte ou visitavam-se familiares residentes na Damaia ou às Portas de Benfica. Estava-se a um passo do Jardim Zoológico e relativamente perto da romântica Sintra das queijadas, da Praia das Maçãs e da Ericeira.
Viajávamos, quase sempre, de autocarro. A saída de casa para a estação da Setubalense era feita atempadamente, cerca de uma hora antes da partida, ainda assim não fosse o pessoal ficar em terra.

Não chegavam as mãos dos quatro lá de casa para tanta mala, saquinhos e saquetas. Em último recurso, chamava-se o Florival ou outro moço de fretes para transportar a complexa pirâmide de bagagem em cima de um estreito carrinho de mão. Depois era esperar (im) pacientemente pelo anúncio do Chefe Botas, para ficarmos a saber qual era o nosso autocarro, o respetivo destino, e ouvir o apito da partida: “Senhores passageiros para Vendas Novas, Pegões, Águas de Moura, Setúbal, Azeitão, etc., etc., etc.”.
As imagens visuais e sonoras que melhor guardamos na lembrança, referem-se à estação da avenida, construída na década de 50. Da primeira estação, junto ao chafariz da Rua Nova, restam-nos apenas impressões difusas, nada que uma boa fotografia não ajude a reavivar.
Já agora, por mera coincidência, faz este mês 40 anos que faleceu Joaquim CAETANO botas. Elementos da família Belo estiveram presentes no funeral.

 A nova gare da Setubalense, actual Rodoviária Nacional, tinha sido inaugurada não havia muito tempo.
Mas, voltemos às viagens de férias. Enquanto chegava ou não chegava a carreira, os nossos olhos curiosos não paravam, até conseguirmos perceber qual era a camioneta que nos calhava na rifa. Se uma daquelas lisas à frente, já mais modernaças, ou uma das mais antigas, de tromba avançada, como alguns “delicadamente” lhes chamavam. Estávamos sempre a torcer para que fosse uma das primeiras.
O carrego das bagagens constituía penosa tarefa para cobradores e outros funcionários da estação. As malas e os sacos maiores tinham de ser arrumados em cima do autocarro, envoltos em redes, ainda assim não fosse algum tareco voar pelo caminho. Por vezes sentiamo-nos envergonhados com tanta traquitana que a família levava de férias e que os trabalhadores da empresa tinham de içar, esforçadamente, para cima do tejadilho.

  Nas imediações da gare, viam-se vendedores de pevides, amendoins, chupa-chupas, rebuçados, bolos secos e outras guloseimas. Alguns deles tornaram-se figuras populares. Dentro e fora da camioneta, aparecia também gente a vender bananas ultra maduras, de cheiro e sabor intenso, e rapaziada da terra, com caixas envidraçadas ao pescoço, apregoando pinhoadas.
Convidamo-lo agora, amigo leitor, a viajar até aos bastidores deste doce tradicional. Os losangos de mel e pinhão, aparentemente simples, escondiam o longo trabalho que implicava o seu fabrico.
Era ali na Rua das Pinas, na casa de Maria Luísa Marques (A Maria Luísa das Pinhoadas), que se confecionavam aquelas delícias artesanais. Nós vivíamos ali por perto, na Rua de Pedrão. O toque da alvorada soava alta madrugada, no nº 2 da íngreme ruela. Às quatro horas, ainda noite escura, já Maria Luísa, o marido e a filha Nita andavam de levante. A mestra das pinhoadas contava com a preciosa ajuda da família. Era labuta a mais para uma pessoa só. As primeiras tarefas passavam por abrir as pinhas, partir pinhões e torrá-los, acender o lume no fogareiro de ferro, onde assentava a pesada panela de ferver o mel. António Fragoso, segundo consta, tinha um dedo famoso para achar o ponto. Fervido o mel, juntava-se o pinhão torrado e espalhava-se a pasta caramelizada sobre uma extensa tábua. Ali seriam cortados, á régua, os dulcíssimos losangos.
Entre outras funções a filha Nita encarregava-se de cortar, geometricamente, o papel vegetal em pedaços e colá-lo de um lado e de outro das pinhoadas. Não havia tempo a perder. Em breve, chegaria uma equipa de rapazes para vender, ruas fora, a produção diária.

 Alem disso, acabada a estrafega das pinhoadas, António Fragoso (Gaudencio para os amigos) tinha de entrar de serviço na Ceres, a grande moagem da vila.
No que toca a vendas, havia quem comprasse um ou mais pacotes inteiros. A maioria, com uns magros tostões no bolso, contentava-se com uma unidade e já gozava.
O sabor das pinhoadas da Maria Luísa era divinal. O mel colava-se aos dentes. Para os mais atrapalhados, o contratempo estava em conseguirem desfazer-se dos pegajosos losangos de papel, que se agarravam às mãos, á cara, aos pés, um pouco por todo o lado.
O custo da matéria-prima e, acima de tudo, problemas de saúde levaram Maria Luísa a abandonar a atividade. Outras mulheres meteram ombros á empreitada. Foi o caso, por exemplo de Mariana Marrafa.
Deixamo-lo, estimado leitor, com um dos pregões que, á distância de muitos anos, ainda ecoa nos ouvidos de alguns Montemorenses.” Pinhoadas, ó lindas e boas! Ó fregueses, ó patroas,…venham comprar…Pinhoadas booooas!”
Até à próxima.

Vitor Guita


Publicado no jornal “o Montemorense” Julho 2014. Transcrito com a devida autorização do Autor

terça-feira, 29 de Julho de 2014

COLABORAÇÃO DR. JOÃO LUÍS

Aprender forever

Ainda mal terminou o ano letivo e já começámos a preparar o próximo. Proporcionar aos alunos das nossas escolas, do nosso Agrupamento, o maior número de possibilidades para poderem fomentar a sua construção como alunos e seres completos, integrado na comunidade e, mais universalmente, na aldeia global onde vivemos, é uma das nossas maiores preocupações e objetivos.
Para isso, o empenho dos docentes e de todos os seus apoios (humanos e logísticos) não são suficientes. É fundamental o interesse de todos os alunos que ousam pôr o pé numa sala de aula, independentemente da disciplina ou do professor que têm à sua espera. O aluno é também, e deverá sê-lo, responsavelmente, professor. Porque, hoje, o professor já não é aquela figura inalcançável e sábia, cujos conceitos são copiados das sebentas bolorentas de décadas anteriores, mas sim um ser que, com os alunos, reaprende diariamente e revitaliza os seus conhecimentos em contacto com gente nova que possui, indubitavelmente, conhecimentos muito superiores do que ele noutras áreas. Ensinar, hoje, é cada vez mais uma troca constante de conhecimentos. É entrar numa sala de aula e ter a certeza de que, tanto professores como alunos, devem sair de lá diferentes de quando lá entraram noventa minutos antes.
Se ser professor foi sempre um desafio para quem gosta de ensinar é, cada vez mais, uma aventura brutalmente saborosa e compensadora, quando se torna um sinónimo, cada mais indiscutível, de aprender.

J.L.N.

O POEMA ILUSTRADO DA LISETTE


segunda-feira, 28 de Julho de 2014

INFORMAÇÃO C.M.A.

JÁ SE ENCONTRA DISTRIBUÍDO PARA CONSULTA DE TODOS OS INTERESSADOS A                                        AGENDA INFORMATIVA REFERENTE AO MÊS DE AGOSTO.


HÁ QUE DENUNCIAR - VÂNDALO Á SOLTA NO ALANDROAL


PANO CRU - Rubrica de A.N.B.

i).
De uma forma crua, vamos dizer que temos a impressão como alguém já o afirmou  que,  “o mundo actual” anda a produzir bastante mais história do que aquela que pode consumir, encaixar e vir a compreender.
Anda a produzir e a acelerá-la de uma tal maneira que, mais cedo ou mais tarde, pode tornar-se incontrolável. Se repararem bem, no Médio Oriente e arredores da Crimeia, nos últimos tempos, houve um série de estados que se fragmentaram e estão em desagregação, tornando a situação internacional muito perigosa e imprevisível.
Já repararam que são mais as milícias e os grupos bem armados do que o número de estados (e exércitos) soberanos realmente existentes? Estão a ver a mancha de violência crescente com que estamos confrontados?
Prova-o ou não, mais esta ofensiva de Israel na Faixa de Gaza onde já é muito difícil distinguir o que é a guerra da carnificina? Onde nenhuma trégua da Cruz Vermelha, é respeitada. Onde as escolas e os hospitais são destruídos. E onde, entretanto, podemos reparar que mais de 80% das vitimas palestinianas são civis indefesos. Mas, o grupo que tem sido mais atingido são as crianças.
Se isto não é um ataque desproporcionado, então, o que será? Admitindo que os dois estados têm legitimidade politica para garantir a sua existência, será pela via da sua destruição mútua…e de um ódio cego que tal virá alguma vez a ser possível e conseguido?
Tal como foi visto nos telejornais, várias vezes, repararam naquela criança, com uns seis ou sete anos, que  estava a atirar pedras a um tanque israelita?...
Podemos prever o que isto significa,  para além do facto incontornável daquela mesma criança, só estar à espera de crescer um pouco mais para a seguir, pegar em armas e prolongar por mais umas  gerações um conflito histórico, descontrolado e cada vez mais violento?...
Mudemos o pano.
ii).
O Al tejo é um bom exemplo e testemunha atenta, à escala local e regional, do que vamos aqui sucintamente afirmar: estamos a assistir ao aparecimento de novas formas de produção informativa individual que se expande a uma velocidade, nunca vista, com o recurso a ferramentas digitais e plataformas de comunicação disponíveis em múltiplas redes sociais.
Isto altera e dará assim origem a  uma nova “democracia participativa” um caminho já aberto, em Portugal, e que começou a ser abertamente protagonizado pelo Partido Socialista, independentemente dos objectivos específicos e  da vontade politica própria dos dois principais protagonistas.
Diria, pois, que esta crise no PS, é também um reflexo da Internet e da aceitação de que, no mundo, muita coisa está e vai mudar: há novos contratos de comunicação e instrumentos de acção politica que estão  em desenvolvimento. As “primárias” são um deles.
Neste sentido poderia acrescentar que as “primárias” do PS vão encetar um novo tipo de contrato politico, entre o PS e os cidadãos, transferindo e abrindo o poder das estruturas partidárias à sociedade civil.
Se isto não é romper com certos “vícios partidocráticos” e fazer uma aproximação à democracia directa e pro-activa, pergunto eu, então, o que será? Do que estão à espera os outros partidos do sistema politico? De um afastamento e desligação crescente  da  sociedade?
Dir-me-ão alguns que isto também é uma luta de facções, e da luta interna pelo poder no PS, uma área onde, aliás, nenhum partido “está virgem” nos seus percursos histórico-políticos.
Como é evidente, não estou em condições de o ignorar completamente, mas também posso garantir que tenciono escolher o candidato que seja mais capaz de reflectir as aspirações urgentes da massa eleitoral que, através “destas primárias” se vier a constituir numa base social de apoio politico, o mais consistente e abrangente possível.  
De acordo com os interesses superiores do país visíveis na U. Europeia e, particularmente, na estratégica CPLP.
 Assim sendo, prefiro colocar aqui estas reflexões, em pano cru, até porque este posicionamento politico, para além de dizer respeito à  esquerda em geral, da mais à menos radical, diz sobretudo respeito  à vida do país e às facturas sociais que vai apresentando, cada vez mais  difíceis de resolver.
Em Portugal, como de resto em todas as partes do Mundo, o pano cru, do fechamento absoluto em “conchas eleitorais ” autossuficientes, a par da falta de abertura real aos processos ideológicos participativos, pagam-se sempre muito caro.
Não foi por causa disto que, no século XX, caíram em catadupa, os dois impérios alemães, o russo, o  austríaco, o otomano e os impérios coloniais europeus, incluindo o português e houve revoluções sociais por todos os continentes?...      
Não será isto o que a História já anda, por toda a parte, a avisar -nos?
  Melhores saudações
   António Neves Berbém

      ( 28/7/2014)

VASCULHAR O PASSADO - Habitual cronica escrita por Augusto Mesquita

                                                  Safira  - a aldeia que não existe


Safira tem placa toponímica bem visível da E.N. 4, que anuncia uma aldeia que não existe. Depois de percorrer 4 km por caminho alcatroado sofrível, que termina na desaparecida aldeia, o visitante chega ao local e fica perplexo, pois é acolhido pelos destroços do que foi a antiga taberna e mercearia, e das habitações dos proprietários do espaço comercial. Deste local, observa-se a antiga igreja do século XV, que irá subsistir até ao desaparecimento da última pedra, a casa do padre, a casa do sacristão, a antiga Junta de Freguesia, o cemitério da aldeia recentemente limpo e caiado, e a vandalizada escola primária com 148,40 m2 de área coberta, e 1.815,60 m2 de área descoberta, desactivada no ano lectivo de 1963/64, que o município tentou vender recentemente por um valor base de 22.025,96 €.
            Dar o nome de Safira a uma aldeia, denota que a povoação também era considerada uma “pedra preciosa”.
            Segundo Mestre Túlio Espanca, a igreja, edificada em sítio altaneiro e pitoresco, dominando a escassas centenas de metros a ribeira do seu nome e de vetusto casario arruinado na linha da frontaria, olha ao ocidente, com seu adro e murete donde rompe a base do cruzeiro de granito rudemente esculpido, sobrepujado por cruz de ferro, singela, do tipo seiscentista.
            A primitiva construção religiosa do título de Santa Maria de Safira, remonta ao bispado do infante-cardeal D. Afonso, filho de D. Manuel, do qual subsistem, da abside, no terreiro, servindo de bancos de repouso, uma formosa chave de pedra, de secção cilíndrica, cordiforme, ornada pela Cruz da Ordem de Malta, e duas mísulas prismáticas, manuelinas (uma sobreposta à pia de água benta, enconchada, visível na capela-mor. Recebeu várias obras na época quinhentista: como resultado da “Visitação de 1534”, teve novo forramento de madeira na nave; o primitivo alpendre, englobou-se no vão do templo que se ampliou em 1573, e fez-se outro de alvenaria, quatro anos depois, e em 1579 abriu-se uma porta travessa na banda do sol. Sofreu ruína grave provocada pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755, com fendas no arco do santuário e corpo da nave e queda do campanil. Restauros hodiernos de 1874 (a data aposta na testeira externa do santuário) e outros terminados em 20 de Outubro de 1903, confirmam obras volumosas que, embora bem intencionados, desfiguraram o templo quinhentista.
            Os alçados laterais estão protegidos por gigantes de alvenaria do sistema tradicional, estando um deles decorado por pequeno relógio de sol, marmóreo e de secção cúbica.
            A fachada axial tem alpendre de três arcos redondos, de alvenaria escaiolada; o campanário levanta-se no vértice do frontão de enrolamento, com cruz de mármore e pequeno registo de azulejos de esmalte branco e decoração azul, representando “S. Vicente Ferrer” envolvido pelo rosário, com a data de 1483-1849.
            Sino, de bronze, cronografado de 1894, ostentando o emblema da Santa Hóstia, relevado. Portada vulgar, com ombreiras de granito e porta de dois batentes de madeira almofadada e pregueada, antiga.
            O interior acusa, com gravidade, os atropelos cometidos na sua arquitectura antiga pela operosidade das extintas irmandades. De planta rectangular, a nave, é coberta por caixilharia de três esteiras de madeira levemente fasquiada, vestígios da obra setecentista; os prospectos estão revestidos de aparelho róseo que oculta composições geométricas e de albarradas.
            Púlpito quadrangular, de base marmórea, envieirada e caixa de pau-santo, apilastrada, de tremidos e colunelos de bolachas discoides, de alvores do séc. XVIII.
            O Baptistério, muito pequenino, tem cúpula de meia laranja assente em pendentes lisos; pia de pedra, cilíndrica, rudemente esculpida. De fins do quinhentismo, parece ser a pia de água benta, de mármore branco, também sem adornos, mas de configuração dodecagonal: assente em colunelo de calcário.
            No corpo da nave conserva-se, ainda, ao modo campesino, a mesa-arcaz dos mesários da Confraria de Nossa Senhora do Rosário, almofadado e cachaço com enrolamento, ornamentado pela tabela pintada da padroeira.
            Os dois altares colaterais são desenhados e executados em talha dourada, no estilo rococó e dentro do seu período decadente, ligeiramente desiguais, com elementos envieirados, palmares, voluta e grinaldas anunciando a arte neoclássica (último quartel do séc. XVIII).
            O do lado do Evangelho é dedicado a “Nossa Senhora do Rosário”. A imagem encontra-se metida em maquineta envidraçada: é de roca, vulgar. Sobre a banqueta, existem esculturas antigas e da escola populista: “S. Brás” (alt. 60 cm) e “S. João Batista” (alt. 84 cm), ambas retocadas por imperitos restauradores. Restos de castiçais de latão, alguns do tipo seiscentista. Em 1758 possuía mais: “Santo António, “S. Sebastião” e “S. Barnabé”, todos de madeira dourada.
            Na capela das “Almas”, paralela e coetânea, venera-se em edícula envidraçada, “S. Miguel Arcanjo”, imagem bem estofada e policromada, de madeira, com características arcaizantes do reinado de D. João V. Tem sacrário. Mais duas esculturas, igualmente de feição popular e de lenho colorido, redouradas e purpurina, se expõem no altar: “S. Pedro” e “Santo António”, que medem, respectivamente, de alt. 95 e 90 cm. No séc. XVIII estava enriquecido com “S. Vicente Ferrer”, “S. Neutel”, “S. Bartolomeu” e “S. Brás”.
            Capela-Mor – De planta rectangular, tem tecto redondo, de abobadilha e alçados caiados de branco, segundo obra volumosa e infeliz de 1874, que lhe destruiu a primitiva abside de arquitectura manuelina. O retábulo é daquela época, de estuques marmoreados, compondo-se de três nichos fundeiros, envidraçados e de molduras redondas, sem qualquer interesse artístico, as quais foram vazadas, com maior sobriedade, no ano de 1592, período em que se destruiu a imagem primitiva de “Nossa Senhora de Safira”, pelo facto de se encontrar completamente gasta e imprópria para o culto. No axial, expõe-se a titular “Nossa Senhora da Natividade” – e lateralmente, “Santa Bárbara” e “S. Sebastião”, esculturas de tamanho sensivelmente igual, todas de madeira mas estofadas ao moderno, o que lhes alterou, em absoluto, o carácter e beleza originais. Estes nichos estiveram decorados por “S. Pedro” e “S. João Batista”.
            Sobre a banqueta, vulgaríssima, existe um crucifixo de marfim, setecentista e de boa factura, mas também restaurado, e as imagens de lenho purpurinado, “S. José” e “S. Pedro”.
            Dimensões do templo: nave – comp. 16.00 x larg. 5,95 m; capela-mor – fundo 6,10 x larg. 4,40 m.
            A cerca de 200 metros da igreja, na baixa do lado oriental, existe o poço do aldeamento, que tem cobertura de tijolo, triangular, e no fundo da parede pequeno registo cerâmico, do séc. XIX, policrómico, figurado por “S. Vicente”, mártir de Valência, empunhando o galeão de três mastros, e envolvido por pórtico de grinaldas de flores.
            No ano de 1758, na sequência das Memórias Paroquiais, divididas em três partes, povoações, serras e rios, num total de 60 perguntas, o Padre Tomás de Vasconcelos Camelo, respondendo ao questionário remetido pelo Arcebispo de Évora D. Miguel de Távora, escrevia: “… tem esta freguesia 57 propriedades e nelas se incluem 120 fogos onde residem 578 pessoas”. O restante documento reflectia sobre as actividades agrícolas e pastorícia presentes na aldeia, a existência de uma fábrica de cal e ainda duas minas de arsénio, na Herdade da Gouveia de Baixo, uma de cobre e ferro na Herdade da Caeira, e ainda, os pagamentos das rendas e os danos causados pelo terramoto. O texto integral pode ser lido na revista de cultura “Almansor” (n.º 5 – 1.ª série).
            Através da Carta de lei de 25 de Abril de 1835 (Divisão Administrativa do País), Safira atinge o estatuto de Freguesia.
            Safira foi o título nobre atribuído por decreto de lei do Rei D. Luís I no ano de1886, a favor de Augusto Dâmaso Miguens da Silva Ramalho da Costa, 1.º Visconde de Safira, a quem pertencia as terras da aldeia. Posteriormente, foi elevado à Grandeza, como 1.º Conde de Safira, por Decreto de D. Luís.
            Um século depois de ser criada a freguesia de Safira, o Código Administrativo de 1936 desfez 10 freguesias no nosso concelho: Landeira, Represa, Santa Sofia, Santo Aleixo, São Brissos, São Gens, São Geraldo, São Mateus, São Romão e a mencionada Safira.
            Esta decisão politica, a juntar à falta de condições de habitabilidade e à precariedade do árduo trabalho agrícola, que era executado manualmente, com meios antiquados, e de sol a sol, foi a morte anunciada para a maioria das extintas freguesias.
Augusto Mesquita

Cedido pelo Autor após publicação no mensário Folha de Montemor – Julho 2014



O GOSTO DE PINTAR - Vitor Rosa


                                                    As últimas folhas dos plátanos de terena 



                                                                           O Castelo de Terena



O olhar do Gaspar

RESUMO DE NOTÍCIAS REFERENTES AO ALENTEJO

 A Capgemini abriu cerca de 50 vagas para a operação que vai instalar no Parque Tecnológico do Alentejo (PCTA) em Setembro. A empresa procura diplomados em Tecnologias de Informação, Mecatrónica e Matemáticas Aplicadas à Economia e Gestão, e já está a fazer as entrevistas. Mas a meta é ter 150 pessoas nos próximos dois anos.

Os Bancos avaliaram as habitações em 866 euros/m2, no mês de Junho, na Região do Alentejo. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A Igreja do Senhor Jesus da Piedade, em Elvas, foi classificada pelo Governo português como monumento de interesse público.

O “Diário do Alentejo” acaba de ser distinguido com mais um prémio nacional de jornalismo. Desta feita foi a reportagem “Abóbadas: um luxo na era do betão”, publicada pela jornalista Carla Ferreira na edição de 1 de novembro de 2013, que venceu o Grande Prémio “(Re)Descobrir o Artesanato”.